quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Eu não queria ter sido seu motivo pra tentar me destruir

Este é meu último texto para você. Não porque eu quero, porque você pediu.
Tenho tantas coisas para te contar, vivi tantas coisas longe de você, descobri seu valor só agora - tarde demais.

- Eu não te odeio como você me odeia. Já odiei, mas não odeio mais
- Você foi a melhor pessoa que eu conheci, aprendi muito contigo;
- Eu sei que nunca vou encontrar quem me ame do jeito que você me amou;

- Eu sei que nunca vou amar alguém do jeito que te amei e nem do jeito que te amo agora;
- Eu te admiro muito!
- Eu queria te mostrar todas as coisas boas que existem no mundo - longe deste mundo aí em que você vive;
- Fico triste toda vez que me lembro que ao seu lado, eu não era assim - como sou hoje;
- Já sei fumar cigarros;
- Tenho bebido só Coca Cola, não mais Sprite;
- Não tenho mais nenhum vício;
- Te ver com um dos meus melhores amigos, antes de eu "amadurecer" assim, me matou todos os dias, me mata até hoje. Eu não queria ter sido seu motivo pra tentar me destruir.
- Não consegui ficar com ninguém desde que você sumiu pela primeira vez - até hoje!
- Me arrependo de ter sumido sem te avisar - fiz isso tantas vezes. Lamento por todas;
- Meus dentes do siso - que nunca nasceriam - nasceram faz quinze dias;
- Faz quinze dias que eu entendi porque a gente nunca daria certo - mesmo assim tentei ver se tinha alguma chance, sei lá porquê;
- Faz tempo que não fumo maconha, lembra que você tinha medo disso?
- Sinto saudade de você todos os dias e sei que vou continuar sentindo, mas vou fingir que você morreu;
- Faz meses que não te vejo, mas lembro da sua voz, do seu rosto, de todas as suas manias e do seu sorriso - o mais lindo que eu já tive até agora;
- Te desejo todas as melhores coisas do mundo, te desejo todo o amor do mundo;
- Não faço idéia do que não fiz pra te ter de volta;
- Todas as coisas que escrevi desde o dia DEZENOVE DE FEVEREIRO DE DOIS MIL E NOVE, até HOJE - SETE DE OUTUBRO DE DOIS MIL E DEZ - foram pensando em você;
- Te desejo alguém que te ame do mesmo jeito que eu te amo - mas sei que isso é impossível.

Eu não queria te perder assim, nem agora, mas vou "sumir da sua vida" como você acabou de me gritar.
Não me leve à mal por tentar te dizer essas coisas. Tenho muita coisa pra te dizer, mas to jogando tudo fora com este texto.

Então, por favor, por mim, por você, por nós, por tudo o que a gente viveu, por tudo o que a gente sofreu, por tudo o que você chorou, por tudo o que eu chorei, suma da minha vida também.
Sei que vou me arrepender pedindo isso, meu coração tá todo destruído, mas foi você quem me ensinou que a gente tem que se reconstruir aos poucos e sem a ajuda dos outros, porque amor não é pra isso.

Você é a melhor mina do mundo, saiba disso. Nunca se esqueça disso.
Não deixa mais ninguém te machucar, por você. Por mim.


Eu te amo, te amo muito. Com todas as minhas forças, com todo o meu coração, com todo o meu amor.
Mas não te quero mais, porque eu descobri que sou maior. Você me mostrou isso quando se apaixonou por mim.
Sou apaixonada por você, mas não aguento mais.

Cansei, me desculpa, mas eu desisto. Pela primeira vez na minha vida eu desisto de alguém, desisto de você; mas te quero bem, te quero muito bem.
Nunca vou me esquecer daquele primeiro beijo, aquele que você me roubou.

Você é gigante.


FINDA AQUI uma história de amor, amor jovem, amor perigoso, amor imaturo, amor descontrolado, amor doente. Um amor lindo que teve os filhos mais feios e loucos do mundo: NOSSO CIÚMES, NOSSA PAIXÃO.
Não queria ser como a mulher do Leonardo Di Caprio em The Shutter Island, mas afoguei nossos dois filhos naquela lagoa que a gente navegou junto. Lembra o nome dela? Era adolescência.

"A opinião insensata, sobrepujando o impulso para o que é correto, comandada pelo desejo do belo e pelos desejos que lhe são congêneres ante a beleza dos corpos, ferozmente forçando, como uma correnteza invencível, retira da sua FEROZ condição o nome de EROS." +

(Enquanto eu copiava a frase de cima, de um dos meus livros, um carro passou na rua tocando aquela música que eu te dei antes de todo mundo ouvir: Sexy Bitch. A sua música, sua sexy BITCH)

Tudo isso, tanto sofrimento... E eu só tenho 21 anos.
Não acho minha vida injusta. Sou feliz por todos os seis amores que tive e não soube cuidar.

Espero um novo, espero um adulto.

Marina Bellini

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

#3 420

- As vontades e os desejos mudam tanto mocinha. Aquieta, que o amor mais bonito tem hora e lugar para acontecer. E não é agora, tá?
- Mas e se eu morrer?!
- Não fala merda, porra. Não estraga, calma.
- Eu não to falando merda, tenho medo de morrer. Não quero morrer.
- Todo mundo morre, sossega.
- Mas eu quero viver agora.
- Por que?
- Porque eu te encontrei.
- Diz o que eu quero ouvir então.
- Desculpa, só consigo te dizer isso longe. Tenho medo!
- De quê?
- Você sabe.
- Não quero esperar mais um minuto.
- O que é um minuto para alguém que já esperou 220 dias pra me ter?!
- É a eternidade.

And when the sky shines so bright, who wants to be alone?!

#2 420

Acendi um cigarro, faz mais de meia hora. Fiz um café, faz mais de uma hora, queimei a ponta que guardei do único baseado que fumei, to te esperando há cinco mil duzentas e oitenta horas.
Fumei um só hoje, foi difícil de conseguir. Queria ter dividido ele inteiro contigo e te mostrado meu filme favorito, queria te dar este presente hoje, mas você sumiu esta noite. Tô triste até agora. Fiquei até imaginando nossa conversa e agora tô me repetindo "menina, acredita nisso aí pra não pegar câncer. Já pensou se você morre sem nem saber se te querem de volta?!"
Infeliz, ou felizmente, eu tô indo lá pra minha cidade. Me sinto em casa lá, porque lá, as pessoas dizem o quanto me amam e o quanto eu valho a pena... O quanto eu sou bonita e engraçada, o quanto um sorriso meu é bonito... Desculpa, preciso te pedir deculpa sempre, né?!
Enfim... Me desculpa. Eu queria ir pra fugir de qualquer ócio que me encaminha até você, porque eu não sei se você pensa em mim assim também. Será que, pelo menos agora, depois do tanto que a gente conversou sobre tantas coisas nesses últimos dias, você tem pensado em mim assim? Eu penso em você há tanto tempo. Eu quero você assim há tanto tempo, há tantos anos te inventei aqui na minha cabeça.
Merda de raciocínio. Acho que você só existe aqui, na minha cabeça mesmo.
Isso tá me matando e eu não quero morrer. Não sei do que é esse nó que sinto na garganta agora. Nem essa tontura e nem a falta de fome que me grudou em mim há quantos meses? MIL? OU VINTE E UM ANOS?! Ou até mais, né? Vai que as histórias espíritas sejam verdade, né?
Se forem, ou não, não queria ir agora. Não sei o que pode acontecer e quanto menos eu te vejo, parece que te perco mais. Engraçado. Parece que nunca te tive.
Queria que fosse sincero, de mim, toda vez que te mando tomar no cu, aqui dentro (na minha cabeça). Mentira, queria ter te visto hoje e te dito tudo isso, juro que tenho tido coragem, mas cada vez mais você parece me fazer esperar. Não quero mais esperar, tenho medo de esperar, porra.
Tô precisando acender outro cigarro. Me tira daqui, por favor, me deixa ficar aí com você.

- Te amo tanto que, realmente, te peço desculpas por tudo. Pedir desculpas para mim é tão puro que é a única coisa que eu consigo te oferecer dessa distância...

quarta-feira, 30 de junho de 2010

como foi?

E depois que eu fui embora, o que aconteceu? É sempre essa a pergunta. O que te interessa? Se alguma coisa aconteceu depois, pra que saber agora? Acha que perdeu alguma fofoca? Se for fofoca, você saberá. Quer saber se alguém fez algo impressionante? Não, foi só uma saída. Nada de impressionante.

Ah, quer saber se falamos de você? Acha que vou te contar caso tenhamos falado? E se eu fosse contar, você não ia querer saber. Não, não é isso. Sem paranóia, por favor. Só acho estranho. Engraçado até. Acha que a noite mudou de rumo depois que você foi embora? Talvez. Acha que ficou pior sem você? Talvez. Mas você só foi embora. Nada de mais nisso. Prefere que eu invente alguma história absurda pra preencher a besteira que é a sua pergunta? Ou você se arrepende de ter perguntado ou se arrepende de não estar lá. A decepção vai vir de um jeito ou de outro, desculpa.

Não. Eu só quero compreender porque todo mundo pergunta isso. O que importa o que foi o resto da noite das pessoas sem você? Quando morrer, vai querer saber como foi? Isso. Considere assim. Imagine que tenha morrido. Você não vai querer e nem ter como saber como foi depois de você. Só foi. Entende?

É alguma insegurança? Acha que realmente ficamos falando de você? Foi só um exemplo. Relaxa. Não temos nada pra falar de você. Não, entendeu errado. Não que não tenhamos nada pra falar de você. É só que, nada de interessante. Merda, saiu errado também. Não faz essa cara. Nada que rendesse uma conversa sem a sua presença, entendeu? Como assim? Você queria que falássemos de você? Mas que merda.

Certo. Quer saber, né? Falamos de você. De como você anda com a gente e tudo. Tá enchendo o saco. Fica aí falando de você sempre. Até agora, aqui, quer saber se falamos e sobre o que falamos. Dá um tempo. E por que essa cara? Pára de achar que tudo gira em volta de você. Você, você, você. Só pára. E chega dessa cara de merda.

Espera. Volta aqui. Você sabe como eu sou. Vou falando, falando, e dá nisso. Da próxima vez só não pergunta, tá?

quarta-feira, 28 de abril de 2010

isso não é um conto

E as pessoas que fingem felicidade. E aqueles que não se importam uns com os outros. Os que pensam que tudo é fabricado e que nada foi real. Que nada é real. Que o sistema nos governa, que os sentimentos não existem.

Aquela aura de sentimentalismo que nos envolve, que nos afoga. Que permanece pairando em cada um de nós e está sempre pronta para atingir o outro, para envolvê-lo. Mas é tímida, é impotente. Tem medo de se machucar. E vamos rindo, vamos chorando de rir. E choramos de tristeza. Cada qual pelo seu motivo particular. Por aquele que não te ama, aqueles que não te dão valor. Você não tem amigos, você não tem amor. Você não é nada e o mundo te odeia. É fraco, é insuficiente, é incompetente.

E um buraco se abre de repente. Tudo mostra as caras. Um texto é escrito. E o mundo é triste. O mundo te deprime. E ao mesmo tempo ele é lindo, possui singularidades que te dão motivo para viver, para ver no que dá. E tudo se fecha. E voltamos a ser felizes. O mundo me deprime. Mas um banho resolve qualquer depressão.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Varanda

Esse conto é uma continuação de Ephiphany, mesmas personagens mesmo bar com música ruim ao fundo

-Por onde você andou cara?

-Por ai.

-Você andou “por ai” por 5 meses?

-Hei, você que disse que só queria me ver de novo da próxima vez que eu fudesse a minha vida.

-De novo? Sério?

-É um dom que eu tenho, sabe? –ascendendo o cigarro-

-Que que você fez dessa vez?

-Sabe quando dizem que sempre que uma porta se fecha, outra se abre?

-Não, uma janela abre.

-Não, eu to falando de portas. Então, eu fechei uma porta, mas outra não se abriu, ou melhor, eu tinha uma porta aberta, e achei que tivesse aberto outra, mas parece que não.

-Isso é triste cara, mas sério, o certo é “quando uma porta se fecha, uma janela se abre”.

-Por quê?

-Sei lá por quê, faz mais sentido.

-Que se foda a janela, e a porta também. O que eu realmente preciso é de uma varanda.

-Você não conseguiu a porta, não quer a janela, e acha que vai arranjar uma varanda no meio do nada?

-Sim, é a solução perfeita. A porta é muito fixa, abre só pra um lado e quase sempre acaba em um corredor escuro. Uma janela é pequena, mas pelo menos sempre está virada para o lado de fora. A varanda é mais imponente, não acaba em corredores e definitivamente é maior que uma janela.

-E essa varanda, vai te ajudar como?

-Não sei, mas eu estou no meio do nada, não fica muito pior que isso. Na pior hipótese, eu estou preso entre duas portas fechadas, e uma varanda sempre dá pra alguma lugar.

-Ou seja, você quer um beco sem saída imaginário na sua cabeça, com visão agradável?

-Basicamente isso. É, acho que você pode colocar dessa maneira.

-Como sempre, você anda ferrando a tua vida, mas eu preciso ir agora cara. Té mais

Enquanto seu amigo se afastava, ele disse em voz baixa.

-Não, realmente eu nunca mais quero te ver. –apaga o cigarro-

quinta-feira, 8 de abril de 2010

O melhor ser

Não, a respota era não. Não havia motivo, não havia razão, só havia fé, e mais que tudo havia ódio. A cidade foi reduzida a ruinas, as pessoas são pouco mais que sombras. Não se diferencia mais mantos e faces.

Mohammed lutava em seu próprio jihad nas muralhas do que uma vez foi a cidade de seus antepasados. A diferença é que não se luta mais com espadas ou pedras, agora rifles de longo alcance e semi-automáticas que abrem os portões do Paraíso

Seu pai disse que ele não precisava morrer para manter um orgulho perdido antes mesmo dele nascer, mas Mohammed sentia esse orgulho. Sentia-o queimando em seus braços e correndo por sua veias e ese sangue pedia mais sangue, com a única condição que não fosse de nenhum conhecido.

Mas agora já faziam vários dias desde que a cidade começara a se esvaziar para sempre, as pessoas continuavam a sair e eles continuavam a chegar. Cada vez com mais armas, cada vez em maior número, cada vez com mais mortes.

Mohammed sabia que morreria, era procurado, já havia matado pessoas demais para continuar vivo, mas ninguem conseguia parar a sua guerra particular, nada no mundo impediria ele de morrer lutando.

Então ele finalmente teve sua chance.

Não via ninguém já a três dias, nem amigos nem inimigos, apenas mortos, corpos sem vida que seriam pó em algum tempo. Chegou a pensar que não havia mais pelo que lutar, o mundo inteiro já havia morrido e só ele continuava a lutar, ou ele havia morrido e ido para um outro mundo, uma piada infeliz depois de lutar pelo seu povo. Foi quando ele viu uma roda de pessoas que conversavam em uma estranha língua, era chegada a sua hora

Mesmo sabendo que cada passo a partir daquele ponto era como um prego em seu caixão Mohammed correu para enfrentar o seu destino. Para toda a eternidade foi considerado um herói, morreu em paz libertando seu povo. O ódio revelou o seu melhor lado.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Respostas!

Depois que terminei meu desabafo e assumi que me apaixonei outra vez, pensei que havia te superado.

Finalizei meu texto, fui fazer outras coisas por aqui, sempre seguro de que não veria seu nome ou sua sombra em qualquer lugar. Por alguns minutos realmente pensei que era possível sim superar e esquecer das pessoas que mais amamos um dia, mas li seu nome sem querer.

Acho que posso ser feliz sim, mas te esquecer, te superar, é impossível. Relacionamentos não são superados. Amores não são esquecidos.

E será que alguém realmente quer que isso aconteça? Se superássemos ou esquecessemos, voltaríamos ao estágio anterior e qual é a graça em não avançar?!

Não ligo mais se depois da intensidade vier a dor. Ambas só me fazem viver mais e não falo de quantidade, falo de qualidade. Ninguém nasceu para viver no marasmo, na calmaria... Só quem escolhe ser assim é que vive uma vida pacata, normal, sem sal e acomodada. Felizmente não são os acomodados que fazem o mundo, então viver intensamente é muito mais interessante e gratificante.

Os acomodados têm medo de viver.


There's nothing left to say.

Respostas?!

Lembrei do nosso primeiro beijo. Não durou nem dois segundos, mas cada milésimo teve o mesmo potencial destrutivo que faíscas em tanques de gasolina. O que nós criamos aquela noite foi muito forte, mas não por muito tempo.

Sinceramente, eu não mudaria nada. Senti todos os pedacinhos dos momentos felizes que tivemos, dos momentos tristes e de toda a dor que eu senti depois. Tem gente que não gostaria de viver o que vivemos, porque nosso fim sempre foi óbvio. Nós começamos sabendo que terminaríamos logo. Começamos sabendo que tínhamos um prazo de validade, mas prolongamos a data ao máximo que conseguimos.

Todos sabiam disso. Eles e nós. Todos sabiam que quando o fim chegasse, sofreríamos muito. Nós sofremos e eles sofreram junto, cresceram junto e morreram junto. Por isso eu não mudaria nada.

Quando tudo desabou, sofri tanto que até fugi. Vim parar aqui, bem longe de qualquer possibilidade de ouvir o que você tem feito ou com quem tem se envolvido. Bem longe, mas eu não mudaria nada. Eu nunca me arrependi.

Eu havia sofrido mil vezes antes. Não entendia como essa última vez doía mais do que todas as outras juntas e nem como parecia que eu iria morrer. A dor conseguiu me afastar de tudo, até de mim. Pensei que eu nunca mais teria minha ingenuidade de novo e que por isso, nunca mais me apaixonaria. Pensei que nunca mais me empolgaria com tudo o que eu mais gostava de fazer antes de te conhecer e fugi.

Minha primeira semana por aqui foi um caos. Comecei a segunda semana sem forças, achei que me mudar já seria o bastante para recomeçar, mas depois dos primeiros dias, pensei que tivesse errado. Que as coisas realmente não acontecem assim e me senti muito covarde por ter fugido.

Ainda na segunda semana, mais precisamente no segundo dia, descobri que eu não era covarde em fugir. Só fui buscar uma vida nova, mais conhecimento, mais amadurecimento. Seria muito mais covarde ter ficado. De lá pra cá, um mês se passou. Nesse tempo todo voltei a sentir amor por tudo, minha curiosidade voltou, meus talentos renasceram e eu cresci bastante.

A última coisa que faltava era me apaixonar. Depois de tudo, pensei que seria impossível pensar em outra pessoa, mas já fazem alguns dias que só tenho feito isso. Ontem descobri, mais uma vez, que é possível se apaixonar de novo sim.

Que vontade de sair na rua gritando que me apaixonei de novo. Eu gostaria muito que todas as pessoas se sentissem como me sinto agora.


Renasci.

(continua...)

quinta-feira, 4 de março de 2010

Respostas?

Será possível responder perguntas com perguntas mais difíceis de se responder?

Frequentemente escuto conversas em que as pessoas negam a existência do amor. Certamente quem pensa isso não poderia responder uma pergunta muito mais complexa, que me assombra todos os dias: É possível NÃO se apaixonar?

Minha pergunta não nega a existência do amor, como a pergunta das pessoas de quem falei. Na realidade procuro uma resposta que me mostre até onde vai o amor, a paixão e os demais sentimentos semelhantes que ainda não tiveram seus nomes estabelecidos. Eu quero saber DO FIM. Não aguento mais acordar todos os dias, me apaixonar por qualquer pessoa e não ser correspondido.

Quero saber do fim, porque é óbvio que ninguém é como eu. Então me soa bastante impossível eu me apaixonar por alguém em alguns minutos e esse alguém se apaixonar junto.

Percebi que, de certa forma, respondi algumas perguntas com essa minha dúvida. Se quero saber até onde vai o amor, significa que ele existe sim e que é possível se apaixonar de novo, mesmo com medo e mesmo não querendo.

Eu poderia lhes dizer o que é o amor. A maior dúvida de todo mundo é essa, não é? Infelizmente só posso contar a vocês que não é possível definir o amor, mas é possível definir como se ama. Cada pessoa sabe seu jeito de amar. Quem não sabe, ainda não descobriu o que é, mas vai descobrir.

O amor tem mil formas, mil jeitos, mil intensidades. Depende de quem ama. Posso dizer que a única característica comum ao amor que todo mundo tem, é a de que sentí-lo é algo inevitável.

Ter medo de sentir o amor, na intensidade que for, é algo que se sustenta por algum tempo sim. O medo afunda o amor como a força de duas mãos afundando uma bola em uma piscina. Até certo ponto é possível deixar a bola submersa, mas a pressão é tamanha que após um tempo, a bola força sua subida. Dá sim para segurar essa pressão no peito, mas por pouco tempo. Não adianta forçar a barra. No final, o amor vence sempre.

(Continua...)

quarta-feira, 3 de março de 2010

Quantas perguntas foram feitas...
Eu poderia responder todas do meu jeito, sem dar nada para que as pessoas pudessem tentar interpretar sabendo mais ou menos o jeito que penso. Acho que eu deveria fazer um resumo do meu jeito de pensar, ou melhor, do meu MAIOR medo.
De certa forma são nossos medos que moldam nossas respostas para todas as perguntas sentimentais que fazemos, então me parece que "interromper" as respostas com essa "introdução" seria muito interessante.

Vou inventar um personagem. Leiam as perguntas de novo, na visão desse personagem que vou criar só pra me acobertar... Senão meus contos vão parecer posts de um blog bem pessoal meu.


Meu nome, meu nome não importa. Só minha idade importa, mas não ela de verdade, só uma idéia dela é o bastante. Só vivi pouco mais de duas décadas, não envelheci ainda.
De qualquer forma, gosto de escrever e acho que posso ajudar as pessoas falando sobre as coisas que eu aprendi até hoje.
O que mais me assusta não é me abrir, não é me expor. É envelhecer. Me pergunto o que vai acontecer quando eu tiver idade o bastante para não viver mais e já tiver contado TODAS as minhas histórias.
Tenho muito medo de que, apesar de tudo, eu seja uma pessoa fácil de se esquecer. As vezes eu queria ser "eterno" como os grandes escritores, pensadores e afins... Mas sei que falta muito chão para eu chegar a isso, ainda erro muitas coisas escrevendo e vivendo também. Talvez o chão que falte não chegue nunca pra mim e por isso seja fácil me esquecer.
Se for fácil desse jeito, acho que quando eu chegar na idade que tenho medo, as pessoas já não se lembrarão de mim.
Maior medo que esse só um que me come todos os dias. E se até as pessoas que eu mais amei e que eu mais vou me lembrar, me esquecerem?
Não sei nem se ainda amo essas pessoas de tão grande que é meu medo.

E é por isso que me faço aquelas perguntas. As vezes acho que não posso esquecer, mas as pessoas podem. Então eu também posso.
Me pergunto se eu conseguiria me esquecer, se já me esqueci, se é possível que qualquer um se esqueça...

"É mesmo possível superar alguém?
O que é SUPERAR uma pessoa?
Uma pessoa pode se esquecer de outra pessoa?"

É por isso que me pergunto...

segunda-feira, 1 de março de 2010

Perguntas

É mesmo possível superar alguém?
O que é SUPERAR uma pessoa?
O que acontece para que uma pessoa chame outra de "passado"?
O que acontece para que alguém tenha medo de se apaixonar?
Como uma pessoa cria, a partir de seus medos, força de vontade o bastante para não se apaixonar outra vez?
É possível se apaixonar de novo, mesmo não querendo?
Existe cura para a dor?
Uma pessoa pode se esquecer de outra pessoa?
O AMOR existe mesmo?
Almas gêmeas são sempre pareadas?
Cara metade existe?


Posso responder cada pergunta dessas sozinha, mas mesmo assim as respostas nunca serão completas.Cada um sente e interpreta essas perguntas de uma forma, cada um tem suas respostas também.
Se eu juntasse todas as respostas, de todo mundo, acho que conseguiria entender tudo isso perfeitamente.



(Continua...)

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Podemos ser amigos?

- Já era.

- Já era?!

- Sim, já era. Fim. Acabou, mas nós podemos ser amigos.

O que as pessoas querem dizer com "podemos ser amigos" ao final de um relacionamento?

Nós nunca fomos amigos, não tivemos tempo para construir essa base no namoro que tínhamos. Fomos muito afobados.

- Sempre te quis.

- Eu também.

Quando nossos olhos se cruzaram aquele dia, ambos se atraíram. Ambos se quiseram com todo o fogo que queimou nosso amor depois de alguns meses. Foi muito fogo. O incêndio, ao fim, foi imensurável também.

Terminar com um "podemos ser amigos" me pareceu com um daqueles "aviões pipa" que despejam toneladas de água em incêndios florestais no Canadá ou na Austrália. Aqueles fogareiros que acabam com a floresta e, incontentados, invadem as cidades.

Como poderíamos ser amigos se nunca fomos puramente amigos? Aqueles casais que terminam e continuam sendo melhores amigos com certeza foram amigos antes de namorar. Com certeza nunca tiveram o fogo que nós (e os casais que começam do NOSSO jeito) tivemos.

- Podemos ser amigos?

- Sim, nós podemos.

Será que manter uma amizade assim seria legal? Quem sabe... Por tudo o que sentimos, seria como não esquecer da nossa história. Acho que se nós fôssemos amigos, não jogaríamos fora todos os acres que consumimos ao longo do nosso fogaréu.

Nós não começamos amigos, nós não construímos essa base. Não dá. Ex namorados amigos nunca incendiaram tudo o que nós incendiamos. Prefiro esquecer, prefiro jogar fora mesmo. Não é possível manter uma amizade sob as condições invisíveis que impusemos a nós dois agora, no fim.

Ex casais que são amigos nunca tiveram o fogo que tivemos, nunca foram felizes como nós. Nunca tiveram nossa intensidade. Nunca incendiaram tudo.

- Não quero sua amizade.

- Como assim?

- Não quero e vou embora.

Não há mais nada por aqui, nós destruímos tudo. Fomos felizes, muito felizes, mas matamos tudo. Matamos nossos lugares, nossos amigos e nossas memórias.

- Podemos ser amigos.

Nós nos matamos também.

Nossa Senhora do Prédio

Não dizem isso por aí, mas dia desses eu pensei que para ser um "contador de histórias" as pessoas deveriam ter um olhar curioso. Um olhar daqueles que os turistas têm quando visitam um lugar que querem muito conhecer e extrair cada informação possível de tudo.

Me lembrei que escrevo e que gosto de contar histórias, então eu deveria exercitar esse olhar curioso no meu dia a dia e resolvi começar.

Pensei que ter concluído isso agora e começar meus exercícios seria bem fácil já que acabei de me mudar, então comecei a ver e ouvir tudo com mais intensidade ainda. Antes eu olhava para não me perder, não me dar mal, agora comecei a olhar e memorizar. Comecei a conhecer as coisas mais profundamente.

Meu primeiro relato destes exercícios foi montado no elevador, voltando para casa.

Quando cheguei da faculdade, vi que havia uma capelinha branca, com a imagem da Nossa Senhora em cima da mesa do porteiro. Olhei de novo e percebi que haviam diversos papéis, de diversas cores e todos eles tinham anotações.

- O que é essa Nossa Senhora aí? Perguntei.

- É dos moradores. Já já alguém passa aqui e pega.

Resumindo o diálogo, descobri que a capelinha com a Nossa Senhora passa por diversos apartamentos no prédio. Um dos bilhetes tinha recomendações sobre o uso da capelinha:

"(...)24 horas é pouco tempo para ser abençoado, mas é o bastante para que todos de sua casa sejam agraciados. (...)"

Em um dos outros papéis haviam nomes. Era a ordem das casas que poderiam ficar com a capelinha. Quem quiser ficar com a Nossa Senhora por um dia em casa, tem que colocar seu nome no fim da listinha.

Fiquei com vontade de colocar meu nome na listinha, só pra receber a visita mesmo. Por alguns segundos quis fazer parte dessa corrente, mas meu elevador chegou bem nessa hora e eu mudei de idéia.

domingo, 24 de janeiro de 2010

A torre

Já estou sendo deportado. Mal cheguei no país, já estou fodido.

Não entendo, meus desfiles noturnos em Campinas sempre deram grana, eu era sempre a melhor mesmo sem a altura desejada pelo público. Lembro-me do show que dei com aquela roupa de grife, a avenida inteira parou para me ver, todos uivavam alucinados, me senti pronta para uma caçada no centro da cidade. Adolescentes lançavam-me caretas, acho que nunca viram a Estrela de tão perto, eu brilhava, adorava aquela roupa.

Foi com ela que um garanhão me agarrou por trás e fez tudo que podia, foi ele que abriu um novo caminho para meus desfiles. Saí da minha agência de meninas para se juntar à agência de meninas importadas dele. Era maravilhosa a chance, saí pela primeira vez do chão para o céu, eu era a Estrela no céu.

Quando cheguei ao chão novamente, nunca vi algo brilhar tanto quanto aquela torre que era o símbolo do país. Eu e as meninas tivemos que trocar de roupa no estúdio. Foi aí que perdi o meu amado conjunto de grife, mas tudo bem, eu estava em um sonho.

Após uma semana de desfile, vi que tinha esquecido algo em Campinas, minha reputação. Fui uma merda, apenas três shows em uma semana e uma carta. A carta que me levaria ao começo, umas pessoas foram me visitar na agência, só entendi quando falaram “Evan Estrela” no sotaque daquela bosta de país, e para que levar algemas?

Que se foda, vou voltar para minha cidade, não há como brilhar tanto quanto brilha essa porra de torre.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Redenção

Anne Frank era assim chamada em homenagem à famosa escritora do Diário de Anne Frank, por vir de uma longa linhagem judaica, sua família achou que seria uma honra chamar a filha do mesmo modo que uma heroína para seu povo. Sua melhor amiga também se chamava Anne, porém todos a chamavam de Annie Hall, porque seu pai era um grande admirador dos filmes de Woody Allen.

Hoje é aniversário de Anne Frank, ela completa seu oitavo ano de vida, e toda a sua família espera uma grande festa, inclusive seu tio Arthur, um grande general que atualmente está aposentado.

Na verdade, tio Arthur foi forçado a se aposentar do exército, pois era extremamente cruel com seus prisioneiros de guerra, e muitos de seus crimes haviam vazado para a imprensa. Mais importante que isso, Arthur era rico, e toda criança espera um grande presente de parentes ricos.

Recentemente foi publicado que na verdade o General pode ter sido retirado por outro motivo. Um senador havia pedido que ele matasse a família de um adversário político, incluindo a sua filha pequena. Embora nunca tenha tido problemas com relação a tirar a vida de outro ser humano, tio Arthur não conseguiu matar a pequena garota que encarava ele com grandes olhos castanhos. Por isso, o senador cobrou alguns favores e conseguiu tirar o general do exército, antes que o seu pedido fosse exposto aos jornais.

Já de noite, os convidados chegavam para festa, e Anne brincava com Annie na sala, até a hora que tio Arthur chegou. Antes que começassem as perguntas embaraçosas, o general prometeu que o seu presente seria entregue depois que o bolo fosse cortado, e nenhum minuto antes. O mais curioso, entretanto, foi o olhar que tio Arthur lançava para o pai de Annie Hall. Era o atual senador, e junto com ele a pequena garota de grandes olhos castanhos que fez com que ele fosse retirado do exército.

General Arthur ficou boa parte da festa falando no telefone. E então, o bolo foi cortado.

Todos se viraram para o general, esperando a grande surpresa. Com olhos vidrados e um estranho sorriso no rosto, tio Arthur disse: Vocês acreditam em redenção?

O relato oficial diz que naquela noite seis tiros foram ouvidos na casa de Anne Frank, e dois corpos foram achados. Um era de uma pequena garota de olhos castanhos, o outro completaria oito anos de vida, se tivesse vivido mais cinco minutos.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Covardia

Vi sua foto sem querer ontem lá no mural de recados de uma amiga minha. Eu tinha um recado para ela, por isso fui até o mural.

Faz alguns bons meses que não vejo seu sorriso. O sorriso mais lindo que eu já tive. Ontem quando vi aquele brilho, recuei. Amassei meu recado e saí de lá correndo com um peso enorme no peito.

Voltei para a minha sala, sentei novamente em frente ao meu computador e respirei fundo várias vezes para ver se a dor passava. Eu chorei. Uma lágrima só, mas chorei. E aí doeu de novo, como quando respondi o último recado que você deixou em meu mural.

Que idiotice essa coisa de mural de recados. Se eu tivesse mandado uma mensagem para o celular da minha amiga, não teria visto sua foto. Não estaria me sentindo assim. Não sei nem o motivo de me sentir assim já que tenho feito tantas coisas e me curtido tanto daquele jeito que aprendemos a nos curtir depois que perdemos alguém e superamos.

"É, parece que não superei". Juro que pensei nisso e hoje quis te ver de novo para dizer o quanto tem sido difícil não viver contigo, mas parece que isso é coisa de gente covarde. E covarde, eu não sou.

Fui deixar um recado para a minha amiga de novo. Fui tentar mais uma vez e consegui. Já haviam tantos recados novos lá que o seu não era visível, então foi bem fácil e confortante poder fazer o que eu tinha que fazer sem ter que encarar seu sorriso estampado ali, me enfrentando e ironizando a minha cara.

Foi tão confortante que acreditei ter te superado mais uma vez. Senti uma segurança e uma força interna enorme. Parecia que ver sua foto de novo não me faria nenhum mal, então fui testar. Levantei todos os recados e cheguei no seu.

Lá estava aquele seu sorriso. Não estremeci, me desafiei a ler suas palavras:

"Blá blá blá. Saudade. Beijo"

Por algumas várias horas eu fiquei feliz. Até agora. Acabei de perceber que li como se fosse para mim aquele seu recado. Acreditei por alguns momentos que era minha a saudade que você sentia. Covarde.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Chego e parto

Seu dia já estava terminando. Era hora de se sentar e ler os textos e as notícias que haviam se acumulado durante o dia que ela passou fora de seu quarto, ouvindo músicas e se lamentando por ter permitido a entrada e a saída de todas as pessoas que haviam deixado profundas cicatrizes no amago de sua alma, ou daquilo que ela acreditava ser a tal "alma" que todos diziam ter.

Não soa como um bom dia e nem como pensamentos bons, não é? Ligar seu computador também não lhe trouxe coisas boas. Notícias sobre tragédias, políticos, esportistas e seus escandalos... Nada de útil. Nada de agradável.

- As notícias podiam ser todas felizes, como escreveu uma vez aquele cronista. Eu gostaria de ler que o marido de uma mulher triste trouxe flores à ela depois voltar do trabalho ou que o filho mais novo daquele casal aprendeu a ler alguma palavra nova e difícil...

Talvez abrir o blog daquele artista famoso, que despertava toda a admiração que ela poderia ter por alguém, lhe traria boas palavras. Palavras de conforto que valessem o dia perdido.

Eu sou um aeroporto. Na verdade, todos nós. (...) Eu sou um aeroporto. Chegadas e partidas são a única certeza na minha vida. (...) E você, aeroporto em greve, tá esperando o quê, olhando pra cima?

- Que confortante.

Sentiu como se somente ele, o escritor, a entendesse de verdade. Leu o texto mais algumas vezes e sentiu uma enorme pena de si mesma por se sentir estagnada como um aeroporto.

Algumas boas semanas depois, a menina continuava se sentindo como naquele dia em que leu o texto sobre sermos como aeroportos, mas não estava pelas bandas daquele site. Estava no Orkut vendo quem havia lhe visitado. Eu sou um aeroporto. Chegadas e partidas são a única certeza na minha vida.

- De novo essa frase?

Já era hora de dormir. Sua cota de pensamentos já havia se esgotado, mas algo lá no fundo de sua cabeça lhe pedia para ler mais uma vez aquele texto e pensar mais um pouco.

Eu sou um aeroporto.

- Aeroportos não são pessoas, são lugares. Nós não podemos ser aeroportos, aeroportos são lugares, são parados e só assistem as coisas acontecendo.
Eu não posso ser um aeroporto, parado. Eu não sou parada. Eu sou um avião. Todos nós somos aviões. Aeroporto é apenas um cenário. Ele até pode ser a vida, mas não as pessoas.

E você, aeroporto em greve, tá esperando o quê, olhando pra cima?

Aeroportos não olham pra cima. Aviões sim.

- Como posso ser um aeroporto que olha pra cima? Eu sou mesmo é um avião, apontado para cima. Não preciso mais olhar, posso tentar chegar lá em cima.

Um aeroporto não nota a diferença do começo e nem do fim de um dia.

- É. Sou mesmo um avião. Pouso no aeroporto, marco meus pneus em suas pistas. Marco meu trajeto no céu. Todos me marcam, mas eu não preciso ficar parada como um aeroporto. Posso crescer com as marcas e apontar cada vez mais o meu nariz pra cima. Um aeroporto não.

Seu dia começara agora.

sábado, 9 de janeiro de 2010

o amor tem dessas

Depois dessa idade o tempo desacelera. Os 40 e os 60 se igualam. As experiências não são de acelerar o coração e as decepções não fazem mais você ter vontade de se atirar pela janela. E eu tinha ela. É. Tinha. Eu não a amava e nem ela a mim. Nós nos possuíamos. Sabíamos disso. Mas ela era daquelas débeis que procuram aventuras para se destruírem aos poucos. E eu era cansado. Se ela procurava por destruição, tinha vindo ao lugar certo.

Viver a dois era difícil. O desejo vinha só do meu lado. Mas era gracioso o modo como ela se despia às escondidas e vinha ao meu encontro já nua. Uma consideração tamanha fazer isso por um velho como eu. Depois tirava as minhas roupas e me deitava na cama - atualmente era o único lugar no qual minha coluna não rejeitava o sexo. E eu ia por cima dela. Me acolhia, ajudando com os movimentos. Seu olhar alternava entre o teto e minha boca, sempre vazio. Eu suava. Esbaforava feito um cachorro velho enquanto ela ficava com olhos carinhosos para mim. Era uma santa. A piedade presente naquele quarto grudava nas paredes. Sexo por pena. Parecia sexo com a minha mãe quando ela me ajudava a desengasgar após um tropeço da minha respiração descompassada. Eu não aguentava. Perdia o tesão ao pensar na minha sofrida mãe. Era sempre a mesma história. Mesmo assim ela me consolava, passando as mãos pela pele enrugada das minhas costas. Uma guerreira misericordiosa. Eu me sentia um derrotado em meu próprio campo de batalha.

Mas nós sempre tentávamos novamente. Não havia intimidade, nem coragem o suficiente para pedir que ela não fosse tão maternal. Eu sabia que esse era o único jeito de ela suportar esse velho. Uma noite, então, eu me segurei. Tentei não resgatar memórias da infância. Mas toda vez que abria os olhos podia vê-la ali. E me sentia sujo. Voltava a fechá-los, fazendo esforço para manter o fluxo de sangue no lugar devido e afastando os pensamentos nojentos da minha frente. Meus músculos do rosto contraíam-se a ponto de darem a luz a novas rugas. Meu corpo travava uma luta insana entre prazer e aversão. Só pude ouvir, ao longe um "Algo errado, querido?" antes de vomitar no rosto dela.

Desencaixei nossos corpos e sentei ao pé da cama, como qualquer marido impotente faria, envergonhado. Dessa vez suas mãos não vieram ao meu encontro, com suas palavras confortantes. O silêncio doeu por alguns longos segundos. Apenas uma pergunta o quebrou: "Faz de novo?". Me puxou para junto dela. Com olhos curiosos, foi invadindo minha boca aos poucos com seus dedos, chegando ao fundo da minha garganta. Senti minhas costelas contraídas e a água nos olhos enquanto despejava sobre ela todo o meu carinho. Desde então, sou eu quem lhe tiro as roupas.

Presente

Eu comprei um colar de prata, com um pingente de rubi hoje, nunca comprei nada mais
caro em toda a minha vida. Mas valeu a pena, era o presente que eu tinha prometido para ela durante toda a nossa relação. O sorriso no rosto dela ao ver o colar valeu o preço, e a noite repleta de carícias e afins valeu ainda mais. Conversamos bastante aquela noite, sobre eu, sobre ela, sobre nós, sobre tudo o mais em que pensamos, e depois novamente nos amamos. Eu estava exausto, só conseguia pensar em ficar deitado e respirar. Enquanto eu estava deitado do lado dela eu não tinha nada no que pensar. Era o nirvana. Era uma sensação intensa, inebriante, intoxicante e acima de tudo muito viciante. É como se fosse as asas de Ícaro, você só percebe que está muito perto do sol quando se queima, e no caso do êxtase você só percebe como ele é profundo quando ele acaba. Há alguns minutos tem um agradável silencio no ar, não há necessidade de palavras quando pode se mostrar com gestos. Ela me olhava direto nos olhos, mas eu estava distraído, eu queria voltar ao nirvana. Até que de repente, como um impulso nervoso ao acordei novamente, mas agora ela já dormia. Dormia com as costas viradas para cima, e a cabeça próxima ao meu ombro direito. Agora eu que olho fixamente para ela, não consigo acreditar no quanto ela é perfeita, como seus cabelos moldam o seu rosto, como os seus lábios são tão vermelhos e como os seus olhos são tão brilhantes, só depois de alguns minutos olhando para ele é que eu percebi que ela estava acordada. Ela virou novamente, agora estava deitada no meu braço, ela estava tão perto que eu podia ouvir a sua respiração. Eu abri a minha mão, e coloquei no meio do seu torso, logo acima do umbigo, e pude senti-la. Eu podia contar os batimentos de seu coração, estavam quase no mesmo ritmo que o meu. Naquele momento eu tinha tudo. Fomos embora na manhã seguinte, viajar sem destino. Não sei para onde estamos indo nem por onde já passamos, não existimos mais no passado nem no futuro. Apenas no presente com um rubi vermelho-sangue pendurado no pescoço dela.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Lábios

Chovia, é a unica coisa que eu consigo lembrar daquela noite que não tenha sido causado ou que não seja uma consequencia da presença dela. Ela usava um vestido branco de alças simples, que acabava na altura dos joelhos, e estava com seus pés descalços. Eu beijava o pescoço dela na varanda enquanto minhas mãos seguravam sua cintura. Quando a chuva parou, uma alça do seu vestido já descia pelo braço. Fomos para o sofa. Ela sentou por cima de minhas pernas enquanto eu estudava o decote de seu vestido. Ela já estava semi-nua agora e eu sentia cada centímetro do corpo dela, seus longos cabelos macios, seus labios vermelhos, os seios redondos e as pernas compridas e torneadas. Por um momento eu relembrei todo o tempo que levamos para chegar até aqui, os meses de enrolação sem saber ao certo o que queriamos, e mais importante se queriamos a mesma coisa. Toda a demora para finalmente estarmos juntos e então o que pareceu a parte mais longa, a espera de finalmente estarmos juntos e a sós. Eventualmente aconteceu, na verdade está acontecendo, mas pareceu demorar para sempre. Nunca havia um lugar em que pudessemos ficar juntos sem que alguém aparecesse. Mas esses pensamentos foram interrompidos bruscamente pelo fato de um par de coxas perfeitas estarem a cinco centimetros do meu rosto e quando finalmente as toquei, já não pensava mais nada. Agora estamos no quarto, e não existe mais nada que separe nos dois, pessoas, paredes ou roupas. Finalmente
podemos ser um e ao pensar nisso beijei-a no único lugar que faltava. Sua boca.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Puta cachorra foda

Os relógios de onde eu moro já marcavam 23h e eu estava me embalando para a tarefa mais chata: limpar o canil.

Nós viajamos há alguns dias para passar o ano novo fora daqui e de alguma forma, desde que saímos da cidade, eu me sentia uma nova pessoa. Parecia que a tal da “vida nova” que nasce com todos os anos novos realmente tinha chegado para mim.

Agora, uma semana depois, retornamos para casa. Em alguns momentos da virada do ano, me lembrei da Góya. Coitada, já estava velhinha e quem iria cuidar dela enquanto eu estivesse fora? As pessoas me perguntavam isso desde abril e me confundiam todos os planos. Realmente, quem iria cuidar da minha cachorra?!

Quando chegamos em casa, o tempo perdeu sua linearidade quando vi a Góya caída perto da porta da casinha dela. Saí correndo, pensei que ela tivesse morrido.

Gritei seu nome umas vezes e ela nem se mexeu, então tomei coragem e enfiei a cabeça na casinha. Ela estava meio largada e olhando a parede. O pote de ração estava intacto e o pote de água não estava muito perto dela.

Levei um pote de água perto da cabeça da cachorra e ela se levantou para beber. Nunca vi tantos goles sem intervalos para respirar. Coitada. Devia estar lá há um bom tempo. Chorei um pouco e o corpo dela começou a dar uns estalos, a fazer uns barulhos graves e muito estranhos. Achei que ela fosse devolver a água, então agachei atrás dela e segurei sua cabeça como faço quando alguém está bêbado e vai vomitar.

Fiquei ali um bom tempo pedindo para ela ficar bem e levantar, mas me assustei quando sua respiração mudou. É difícil descrever, mas tudo em seu corpo acelerou e começou a desacelerar gradualmente. Eu não sabia o que fazer, então fiquei ali, passivamente inútil e me sentindo a menor e mais impotente criatura do mundo. Acho que era a hora.

Acompanhei a respiração dela e falei tudo o que eu poderia falar. Fui soltando tudo mesmo, na crença de que ela poderia entender sim as minhas palavras. Alguns segundos depois que eu terminei de falar, ela parou de respirar.

Olhei mais perto a cara dela, pedi para que ela não fosse naquela hora. Ela voltou a respirar algumas várias vezes e quando parou de vez, seu coração ainda batia. Fiquei ali um tempo esperando ela voltar, mas ela não voltou.

Caramba, a Góya esperou a gente voltar para casa e me esperou entrar no canil para se despedir? Será que foi isso? Que puta cachorra foda! Pensei nas histórias dos cães mais famosos do mundo e sabe de uma coisa? “Marley e eu” é o caralho. Sou muito mais a Góya.

Pensar nisso me confortou de alguma forma. Lembrei que não terei que receber esta notícia de ninguém, porque eu estava lá. Lembrei que para mim que ela se despediu. Não foi para outra pessoa. Foi para mim, foi comigo, foi em minhas mãos. Ela me amava e eu era importante. Eu devia ser a pessoa mais importante para ela. Isso é grande demais!

- Preciso fazer algo bom agora, ela merece uma finalização de um adeus bem bonita! – pensei alto – Vou terminar de limpar isso aqui, ela parece um cachorro de mendigo. Vou tirar esses jornais, passar um pano e sei lá, acender um incenso.

Limpei o canil e pedi para a minha mãe encontrar um incenso bem bonito para a Góya. Não vou rezar, não acredito em Deus. Incenso deve ser coisa religiosa também, mas pelo menos é cheiroso e a doutrina de quem usa incenso é mais bonita, então vou acender um incenso mesmo.

- Proteção, parece bom.

Acendi o incenso e o coloquei na casinha, puxei a Góya mais para dentro, apoiei sua cabeça em um pano vermelho e a cobri com um outro xadrez. Agora sim parecia uma cachorra querida!

Dei meu último tchau e fechei a porta. Nada mais me prende por aqui. A Góya, mais uma vez, engoliu todos os meus problemas. Puta cachorra foda!