quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Eu não queria ter sido seu motivo pra tentar me destruir

Este é meu último texto para você. Não porque eu quero, porque você pediu.
Tenho tantas coisas para te contar, vivi tantas coisas longe de você, descobri seu valor só agora - tarde demais.

- Eu não te odeio como você me odeia. Já odiei, mas não odeio mais
- Você foi a melhor pessoa que eu conheci, aprendi muito contigo;
- Eu sei que nunca vou encontrar quem me ame do jeito que você me amou;

- Eu sei que nunca vou amar alguém do jeito que te amei e nem do jeito que te amo agora;
- Eu te admiro muito!
- Eu queria te mostrar todas as coisas boas que existem no mundo - longe deste mundo aí em que você vive;
- Fico triste toda vez que me lembro que ao seu lado, eu não era assim - como sou hoje;
- Já sei fumar cigarros;
- Tenho bebido só Coca Cola, não mais Sprite;
- Não tenho mais nenhum vício;
- Te ver com um dos meus melhores amigos, antes de eu "amadurecer" assim, me matou todos os dias, me mata até hoje. Eu não queria ter sido seu motivo pra tentar me destruir.
- Não consegui ficar com ninguém desde que você sumiu pela primeira vez - até hoje!
- Me arrependo de ter sumido sem te avisar - fiz isso tantas vezes. Lamento por todas;
- Meus dentes do siso - que nunca nasceriam - nasceram faz quinze dias;
- Faz quinze dias que eu entendi porque a gente nunca daria certo - mesmo assim tentei ver se tinha alguma chance, sei lá porquê;
- Faz tempo que não fumo maconha, lembra que você tinha medo disso?
- Sinto saudade de você todos os dias e sei que vou continuar sentindo, mas vou fingir que você morreu;
- Faz meses que não te vejo, mas lembro da sua voz, do seu rosto, de todas as suas manias e do seu sorriso - o mais lindo que eu já tive até agora;
- Te desejo todas as melhores coisas do mundo, te desejo todo o amor do mundo;
- Não faço idéia do que não fiz pra te ter de volta;
- Todas as coisas que escrevi desde o dia DEZENOVE DE FEVEREIRO DE DOIS MIL E NOVE, até HOJE - SETE DE OUTUBRO DE DOIS MIL E DEZ - foram pensando em você;
- Te desejo alguém que te ame do mesmo jeito que eu te amo - mas sei que isso é impossível.

Eu não queria te perder assim, nem agora, mas vou "sumir da sua vida" como você acabou de me gritar.
Não me leve à mal por tentar te dizer essas coisas. Tenho muita coisa pra te dizer, mas to jogando tudo fora com este texto.

Então, por favor, por mim, por você, por nós, por tudo o que a gente viveu, por tudo o que a gente sofreu, por tudo o que você chorou, por tudo o que eu chorei, suma da minha vida também.
Sei que vou me arrepender pedindo isso, meu coração tá todo destruído, mas foi você quem me ensinou que a gente tem que se reconstruir aos poucos e sem a ajuda dos outros, porque amor não é pra isso.

Você é a melhor mina do mundo, saiba disso. Nunca se esqueça disso.
Não deixa mais ninguém te machucar, por você. Por mim.


Eu te amo, te amo muito. Com todas as minhas forças, com todo o meu coração, com todo o meu amor.
Mas não te quero mais, porque eu descobri que sou maior. Você me mostrou isso quando se apaixonou por mim.
Sou apaixonada por você, mas não aguento mais.

Cansei, me desculpa, mas eu desisto. Pela primeira vez na minha vida eu desisto de alguém, desisto de você; mas te quero bem, te quero muito bem.
Nunca vou me esquecer daquele primeiro beijo, aquele que você me roubou.

Você é gigante.


FINDA AQUI uma história de amor, amor jovem, amor perigoso, amor imaturo, amor descontrolado, amor doente. Um amor lindo que teve os filhos mais feios e loucos do mundo: NOSSO CIÚMES, NOSSA PAIXÃO.
Não queria ser como a mulher do Leonardo Di Caprio em The Shutter Island, mas afoguei nossos dois filhos naquela lagoa que a gente navegou junto. Lembra o nome dela? Era adolescência.

"A opinião insensata, sobrepujando o impulso para o que é correto, comandada pelo desejo do belo e pelos desejos que lhe são congêneres ante a beleza dos corpos, ferozmente forçando, como uma correnteza invencível, retira da sua FEROZ condição o nome de EROS." +

(Enquanto eu copiava a frase de cima, de um dos meus livros, um carro passou na rua tocando aquela música que eu te dei antes de todo mundo ouvir: Sexy Bitch. A sua música, sua sexy BITCH)

Tudo isso, tanto sofrimento... E eu só tenho 21 anos.
Não acho minha vida injusta. Sou feliz por todos os seis amores que tive e não soube cuidar.

Espero um novo, espero um adulto.

Marina Bellini

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

#3 420

- As vontades e os desejos mudam tanto mocinha. Aquieta, que o amor mais bonito tem hora e lugar para acontecer. E não é agora, tá?
- Mas e se eu morrer?!
- Não fala merda, porra. Não estraga, calma.
- Eu não to falando merda, tenho medo de morrer. Não quero morrer.
- Todo mundo morre, sossega.
- Mas eu quero viver agora.
- Por que?
- Porque eu te encontrei.
- Diz o que eu quero ouvir então.
- Desculpa, só consigo te dizer isso longe. Tenho medo!
- De quê?
- Você sabe.
- Não quero esperar mais um minuto.
- O que é um minuto para alguém que já esperou 220 dias pra me ter?!
- É a eternidade.

And when the sky shines so bright, who wants to be alone?!

#2 420

Acendi um cigarro, faz mais de meia hora. Fiz um café, faz mais de uma hora, queimei a ponta que guardei do único baseado que fumei, to te esperando há cinco mil duzentas e oitenta horas.
Fumei um só hoje, foi difícil de conseguir. Queria ter dividido ele inteiro contigo e te mostrado meu filme favorito, queria te dar este presente hoje, mas você sumiu esta noite. Tô triste até agora. Fiquei até imaginando nossa conversa e agora tô me repetindo "menina, acredita nisso aí pra não pegar câncer. Já pensou se você morre sem nem saber se te querem de volta?!"
Infeliz, ou felizmente, eu tô indo lá pra minha cidade. Me sinto em casa lá, porque lá, as pessoas dizem o quanto me amam e o quanto eu valho a pena... O quanto eu sou bonita e engraçada, o quanto um sorriso meu é bonito... Desculpa, preciso te pedir deculpa sempre, né?!
Enfim... Me desculpa. Eu queria ir pra fugir de qualquer ócio que me encaminha até você, porque eu não sei se você pensa em mim assim também. Será que, pelo menos agora, depois do tanto que a gente conversou sobre tantas coisas nesses últimos dias, você tem pensado em mim assim? Eu penso em você há tanto tempo. Eu quero você assim há tanto tempo, há tantos anos te inventei aqui na minha cabeça.
Merda de raciocínio. Acho que você só existe aqui, na minha cabeça mesmo.
Isso tá me matando e eu não quero morrer. Não sei do que é esse nó que sinto na garganta agora. Nem essa tontura e nem a falta de fome que me grudou em mim há quantos meses? MIL? OU VINTE E UM ANOS?! Ou até mais, né? Vai que as histórias espíritas sejam verdade, né?
Se forem, ou não, não queria ir agora. Não sei o que pode acontecer e quanto menos eu te vejo, parece que te perco mais. Engraçado. Parece que nunca te tive.
Queria que fosse sincero, de mim, toda vez que te mando tomar no cu, aqui dentro (na minha cabeça). Mentira, queria ter te visto hoje e te dito tudo isso, juro que tenho tido coragem, mas cada vez mais você parece me fazer esperar. Não quero mais esperar, tenho medo de esperar, porra.
Tô precisando acender outro cigarro. Me tira daqui, por favor, me deixa ficar aí com você.

- Te amo tanto que, realmente, te peço desculpas por tudo. Pedir desculpas para mim é tão puro que é a única coisa que eu consigo te oferecer dessa distância...

quarta-feira, 30 de junho de 2010

como foi?

E depois que eu fui embora, o que aconteceu? É sempre essa a pergunta. O que te interessa? Se alguma coisa aconteceu depois, pra que saber agora? Acha que perdeu alguma fofoca? Se for fofoca, você saberá. Quer saber se alguém fez algo impressionante? Não, foi só uma saída. Nada de impressionante.

Ah, quer saber se falamos de você? Acha que vou te contar caso tenhamos falado? E se eu fosse contar, você não ia querer saber. Não, não é isso. Sem paranóia, por favor. Só acho estranho. Engraçado até. Acha que a noite mudou de rumo depois que você foi embora? Talvez. Acha que ficou pior sem você? Talvez. Mas você só foi embora. Nada de mais nisso. Prefere que eu invente alguma história absurda pra preencher a besteira que é a sua pergunta? Ou você se arrepende de ter perguntado ou se arrepende de não estar lá. A decepção vai vir de um jeito ou de outro, desculpa.

Não. Eu só quero compreender porque todo mundo pergunta isso. O que importa o que foi o resto da noite das pessoas sem você? Quando morrer, vai querer saber como foi? Isso. Considere assim. Imagine que tenha morrido. Você não vai querer e nem ter como saber como foi depois de você. Só foi. Entende?

É alguma insegurança? Acha que realmente ficamos falando de você? Foi só um exemplo. Relaxa. Não temos nada pra falar de você. Não, entendeu errado. Não que não tenhamos nada pra falar de você. É só que, nada de interessante. Merda, saiu errado também. Não faz essa cara. Nada que rendesse uma conversa sem a sua presença, entendeu? Como assim? Você queria que falássemos de você? Mas que merda.

Certo. Quer saber, né? Falamos de você. De como você anda com a gente e tudo. Tá enchendo o saco. Fica aí falando de você sempre. Até agora, aqui, quer saber se falamos e sobre o que falamos. Dá um tempo. E por que essa cara? Pára de achar que tudo gira em volta de você. Você, você, você. Só pára. E chega dessa cara de merda.

Espera. Volta aqui. Você sabe como eu sou. Vou falando, falando, e dá nisso. Da próxima vez só não pergunta, tá?

quarta-feira, 28 de abril de 2010

isso não é um conto

E as pessoas que fingem felicidade. E aqueles que não se importam uns com os outros. Os que pensam que tudo é fabricado e que nada foi real. Que nada é real. Que o sistema nos governa, que os sentimentos não existem.

Aquela aura de sentimentalismo que nos envolve, que nos afoga. Que permanece pairando em cada um de nós e está sempre pronta para atingir o outro, para envolvê-lo. Mas é tímida, é impotente. Tem medo de se machucar. E vamos rindo, vamos chorando de rir. E choramos de tristeza. Cada qual pelo seu motivo particular. Por aquele que não te ama, aqueles que não te dão valor. Você não tem amigos, você não tem amor. Você não é nada e o mundo te odeia. É fraco, é insuficiente, é incompetente.

E um buraco se abre de repente. Tudo mostra as caras. Um texto é escrito. E o mundo é triste. O mundo te deprime. E ao mesmo tempo ele é lindo, possui singularidades que te dão motivo para viver, para ver no que dá. E tudo se fecha. E voltamos a ser felizes. O mundo me deprime. Mas um banho resolve qualquer depressão.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Varanda

Esse conto é uma continuação de Ephiphany, mesmas personagens mesmo bar com música ruim ao fundo

-Por onde você andou cara?

-Por ai.

-Você andou “por ai” por 5 meses?

-Hei, você que disse que só queria me ver de novo da próxima vez que eu fudesse a minha vida.

-De novo? Sério?

-É um dom que eu tenho, sabe? –ascendendo o cigarro-

-Que que você fez dessa vez?

-Sabe quando dizem que sempre que uma porta se fecha, outra se abre?

-Não, uma janela abre.

-Não, eu to falando de portas. Então, eu fechei uma porta, mas outra não se abriu, ou melhor, eu tinha uma porta aberta, e achei que tivesse aberto outra, mas parece que não.

-Isso é triste cara, mas sério, o certo é “quando uma porta se fecha, uma janela se abre”.

-Por quê?

-Sei lá por quê, faz mais sentido.

-Que se foda a janela, e a porta também. O que eu realmente preciso é de uma varanda.

-Você não conseguiu a porta, não quer a janela, e acha que vai arranjar uma varanda no meio do nada?

-Sim, é a solução perfeita. A porta é muito fixa, abre só pra um lado e quase sempre acaba em um corredor escuro. Uma janela é pequena, mas pelo menos sempre está virada para o lado de fora. A varanda é mais imponente, não acaba em corredores e definitivamente é maior que uma janela.

-E essa varanda, vai te ajudar como?

-Não sei, mas eu estou no meio do nada, não fica muito pior que isso. Na pior hipótese, eu estou preso entre duas portas fechadas, e uma varanda sempre dá pra alguma lugar.

-Ou seja, você quer um beco sem saída imaginário na sua cabeça, com visão agradável?

-Basicamente isso. É, acho que você pode colocar dessa maneira.

-Como sempre, você anda ferrando a tua vida, mas eu preciso ir agora cara. Té mais

Enquanto seu amigo se afastava, ele disse em voz baixa.

-Não, realmente eu nunca mais quero te ver. –apaga o cigarro-

quinta-feira, 8 de abril de 2010

O melhor ser

Não, a respota era não. Não havia motivo, não havia razão, só havia fé, e mais que tudo havia ódio. A cidade foi reduzida a ruinas, as pessoas são pouco mais que sombras. Não se diferencia mais mantos e faces.

Mohammed lutava em seu próprio jihad nas muralhas do que uma vez foi a cidade de seus antepasados. A diferença é que não se luta mais com espadas ou pedras, agora rifles de longo alcance e semi-automáticas que abrem os portões do Paraíso

Seu pai disse que ele não precisava morrer para manter um orgulho perdido antes mesmo dele nascer, mas Mohammed sentia esse orgulho. Sentia-o queimando em seus braços e correndo por sua veias e ese sangue pedia mais sangue, com a única condição que não fosse de nenhum conhecido.

Mas agora já faziam vários dias desde que a cidade começara a se esvaziar para sempre, as pessoas continuavam a sair e eles continuavam a chegar. Cada vez com mais armas, cada vez em maior número, cada vez com mais mortes.

Mohammed sabia que morreria, era procurado, já havia matado pessoas demais para continuar vivo, mas ninguem conseguia parar a sua guerra particular, nada no mundo impediria ele de morrer lutando.

Então ele finalmente teve sua chance.

Não via ninguém já a três dias, nem amigos nem inimigos, apenas mortos, corpos sem vida que seriam pó em algum tempo. Chegou a pensar que não havia mais pelo que lutar, o mundo inteiro já havia morrido e só ele continuava a lutar, ou ele havia morrido e ido para um outro mundo, uma piada infeliz depois de lutar pelo seu povo. Foi quando ele viu uma roda de pessoas que conversavam em uma estranha língua, era chegada a sua hora

Mesmo sabendo que cada passo a partir daquele ponto era como um prego em seu caixão Mohammed correu para enfrentar o seu destino. Para toda a eternidade foi considerado um herói, morreu em paz libertando seu povo. O ódio revelou o seu melhor lado.