domingo, 17 de janeiro de 2010

Covardia

Vi sua foto sem querer ontem lá no mural de recados de uma amiga minha. Eu tinha um recado para ela, por isso fui até o mural.

Faz alguns bons meses que não vejo seu sorriso. O sorriso mais lindo que eu já tive. Ontem quando vi aquele brilho, recuei. Amassei meu recado e saí de lá correndo com um peso enorme no peito.

Voltei para a minha sala, sentei novamente em frente ao meu computador e respirei fundo várias vezes para ver se a dor passava. Eu chorei. Uma lágrima só, mas chorei. E aí doeu de novo, como quando respondi o último recado que você deixou em meu mural.

Que idiotice essa coisa de mural de recados. Se eu tivesse mandado uma mensagem para o celular da minha amiga, não teria visto sua foto. Não estaria me sentindo assim. Não sei nem o motivo de me sentir assim já que tenho feito tantas coisas e me curtido tanto daquele jeito que aprendemos a nos curtir depois que perdemos alguém e superamos.

"É, parece que não superei". Juro que pensei nisso e hoje quis te ver de novo para dizer o quanto tem sido difícil não viver contigo, mas parece que isso é coisa de gente covarde. E covarde, eu não sou.

Fui deixar um recado para a minha amiga de novo. Fui tentar mais uma vez e consegui. Já haviam tantos recados novos lá que o seu não era visível, então foi bem fácil e confortante poder fazer o que eu tinha que fazer sem ter que encarar seu sorriso estampado ali, me enfrentando e ironizando a minha cara.

Foi tão confortante que acreditei ter te superado mais uma vez. Senti uma segurança e uma força interna enorme. Parecia que ver sua foto de novo não me faria nenhum mal, então fui testar. Levantei todos os recados e cheguei no seu.

Lá estava aquele seu sorriso. Não estremeci, me desafiei a ler suas palavras:

"Blá blá blá. Saudade. Beijo"

Por algumas várias horas eu fiquei feliz. Até agora. Acabei de perceber que li como se fosse para mim aquele seu recado. Acreditei por alguns momentos que era minha a saudade que você sentia. Covarde.

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