sábado, 9 de janeiro de 2010

Presente

Eu comprei um colar de prata, com um pingente de rubi hoje, nunca comprei nada mais
caro em toda a minha vida. Mas valeu a pena, era o presente que eu tinha prometido para ela durante toda a nossa relação. O sorriso no rosto dela ao ver o colar valeu o preço, e a noite repleta de carícias e afins valeu ainda mais. Conversamos bastante aquela noite, sobre eu, sobre ela, sobre nós, sobre tudo o mais em que pensamos, e depois novamente nos amamos. Eu estava exausto, só conseguia pensar em ficar deitado e respirar. Enquanto eu estava deitado do lado dela eu não tinha nada no que pensar. Era o nirvana. Era uma sensação intensa, inebriante, intoxicante e acima de tudo muito viciante. É como se fosse as asas de Ícaro, você só percebe que está muito perto do sol quando se queima, e no caso do êxtase você só percebe como ele é profundo quando ele acaba. Há alguns minutos tem um agradável silencio no ar, não há necessidade de palavras quando pode se mostrar com gestos. Ela me olhava direto nos olhos, mas eu estava distraído, eu queria voltar ao nirvana. Até que de repente, como um impulso nervoso ao acordei novamente, mas agora ela já dormia. Dormia com as costas viradas para cima, e a cabeça próxima ao meu ombro direito. Agora eu que olho fixamente para ela, não consigo acreditar no quanto ela é perfeita, como seus cabelos moldam o seu rosto, como os seus lábios são tão vermelhos e como os seus olhos são tão brilhantes, só depois de alguns minutos olhando para ele é que eu percebi que ela estava acordada. Ela virou novamente, agora estava deitada no meu braço, ela estava tão perto que eu podia ouvir a sua respiração. Eu abri a minha mão, e coloquei no meio do seu torso, logo acima do umbigo, e pude senti-la. Eu podia contar os batimentos de seu coração, estavam quase no mesmo ritmo que o meu. Naquele momento eu tinha tudo. Fomos embora na manhã seguinte, viajar sem destino. Não sei para onde estamos indo nem por onde já passamos, não existimos mais no passado nem no futuro. Apenas no presente com um rubi vermelho-sangue pendurado no pescoço dela.

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