domingo, 24 de janeiro de 2010

A torre

Já estou sendo deportado. Mal cheguei no país, já estou fodido.

Não entendo, meus desfiles noturnos em Campinas sempre deram grana, eu era sempre a melhor mesmo sem a altura desejada pelo público. Lembro-me do show que dei com aquela roupa de grife, a avenida inteira parou para me ver, todos uivavam alucinados, me senti pronta para uma caçada no centro da cidade. Adolescentes lançavam-me caretas, acho que nunca viram a Estrela de tão perto, eu brilhava, adorava aquela roupa.

Foi com ela que um garanhão me agarrou por trás e fez tudo que podia, foi ele que abriu um novo caminho para meus desfiles. Saí da minha agência de meninas para se juntar à agência de meninas importadas dele. Era maravilhosa a chance, saí pela primeira vez do chão para o céu, eu era a Estrela no céu.

Quando cheguei ao chão novamente, nunca vi algo brilhar tanto quanto aquela torre que era o símbolo do país. Eu e as meninas tivemos que trocar de roupa no estúdio. Foi aí que perdi o meu amado conjunto de grife, mas tudo bem, eu estava em um sonho.

Após uma semana de desfile, vi que tinha esquecido algo em Campinas, minha reputação. Fui uma merda, apenas três shows em uma semana e uma carta. A carta que me levaria ao começo, umas pessoas foram me visitar na agência, só entendi quando falaram “Evan Estrela” no sotaque daquela bosta de país, e para que levar algemas?

Que se foda, vou voltar para minha cidade, não há como brilhar tanto quanto brilha essa porra de torre.

Um comentário:

  1. "Foi com ela que um garanhão me agarrou por trás e fez tudo que podia"

    meninë, meninë. se revelando.

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