quarta-feira, 28 de abril de 2010
isso não é um conto
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Varanda
Esse conto é uma continuação de Ephiphany, mesmas personagens mesmo bar com música ruim ao fundo
-Por onde você andou cara?
-Por ai.
-Você andou “por ai” por 5 meses?
-Hei, você que disse que só queria me ver de novo da próxima vez que eu fudesse a minha vida.
-De novo? Sério?
-É um dom que eu tenho, sabe? –ascendendo o cigarro-
-Que que você fez dessa vez?
-Sabe quando dizem que sempre que uma porta se fecha, outra se abre?
-Não, uma janela abre.
-Não, eu to falando de portas. Então, eu fechei uma porta, mas outra não se abriu, ou melhor, eu tinha uma porta aberta, e achei que tivesse aberto outra, mas parece que não.
-Isso é triste cara, mas sério, o certo é “quando uma porta se fecha, uma janela se abre”.
-Por quê?
-Sei lá por quê, faz mais sentido.
-Que se foda a janela, e a porta também. O que eu realmente preciso é de uma varanda.
-Você não conseguiu a porta, não quer a janela, e acha que vai arranjar uma varanda no meio do nada?
-Sim, é a solução perfeita. A porta é muito fixa, abre só pra um lado e quase sempre acaba em um corredor escuro. Uma janela é pequena, mas pelo menos sempre está virada para o lado de fora. A varanda é mais imponente, não acaba em corredores e definitivamente é maior que uma janela.
-E essa varanda, vai te ajudar como?
-Não sei, mas eu estou no meio do nada, não fica muito pior que isso. Na pior hipótese, eu estou preso entre duas portas fechadas, e uma varanda sempre dá pra alguma lugar.
-Ou seja, você quer um beco sem saída imaginário na sua cabeça, com visão agradável?
-Basicamente isso. É, acho que você pode colocar dessa maneira.
-Como sempre, você anda ferrando a tua vida, mas eu preciso ir agora cara. Té mais
Enquanto seu amigo se afastava, ele disse em voz baixa.
-Não, realmente eu nunca mais quero te ver. –apaga o cigarro-
quinta-feira, 8 de abril de 2010
O melhor ser
Não, a respota era não. Não havia motivo, não havia razão, só havia fé, e mais que tudo havia ódio. A cidade foi reduzida a ruinas, as pessoas são pouco mais que sombras. Não se diferencia mais mantos e faces.
Mohammed lutava em seu próprio jihad nas muralhas do que uma vez foi a cidade de seus antepasados. A diferença é que não se luta mais com espadas ou pedras, agora rifles de longo alcance e semi-automáticas que abrem os portões do Paraíso
Seu pai disse que ele não precisava morrer para manter um orgulho perdido antes mesmo dele nascer, mas Mohammed sentia esse orgulho. Sentia-o queimando em seus braços e correndo por sua veias e ese sangue pedia mais sangue, com a única condição que não fosse de nenhum conhecido.
Mas agora já faziam vários dias desde que a cidade começara a se esvaziar para sempre, as pessoas continuavam a sair e eles continuavam a chegar. Cada vez com mais armas, cada vez em maior número, cada vez com mais mortes.
Mohammed sabia que morreria, era procurado, já havia matado pessoas demais para continuar vivo, mas ninguem conseguia parar a sua guerra particular, nada no mundo impediria ele de morrer lutando.
Então ele finalmente teve sua chance.
Não via ninguém já a três dias, nem amigos nem inimigos, apenas mortos, corpos sem vida que seriam pó em algum tempo. Chegou a pensar que não havia mais pelo que lutar, o mundo inteiro já havia morrido e só ele continuava a lutar, ou ele havia morrido e ido para um outro mundo, uma piada infeliz depois de lutar pelo seu povo. Foi quando ele viu uma roda de pessoas que conversavam em uma estranha língua, era chegada a sua hora