segunda-feira, 12 de abril de 2010

Varanda

Esse conto é uma continuação de Ephiphany, mesmas personagens mesmo bar com música ruim ao fundo

-Por onde você andou cara?

-Por ai.

-Você andou “por ai” por 5 meses?

-Hei, você que disse que só queria me ver de novo da próxima vez que eu fudesse a minha vida.

-De novo? Sério?

-É um dom que eu tenho, sabe? –ascendendo o cigarro-

-Que que você fez dessa vez?

-Sabe quando dizem que sempre que uma porta se fecha, outra se abre?

-Não, uma janela abre.

-Não, eu to falando de portas. Então, eu fechei uma porta, mas outra não se abriu, ou melhor, eu tinha uma porta aberta, e achei que tivesse aberto outra, mas parece que não.

-Isso é triste cara, mas sério, o certo é “quando uma porta se fecha, uma janela se abre”.

-Por quê?

-Sei lá por quê, faz mais sentido.

-Que se foda a janela, e a porta também. O que eu realmente preciso é de uma varanda.

-Você não conseguiu a porta, não quer a janela, e acha que vai arranjar uma varanda no meio do nada?

-Sim, é a solução perfeita. A porta é muito fixa, abre só pra um lado e quase sempre acaba em um corredor escuro. Uma janela é pequena, mas pelo menos sempre está virada para o lado de fora. A varanda é mais imponente, não acaba em corredores e definitivamente é maior que uma janela.

-E essa varanda, vai te ajudar como?

-Não sei, mas eu estou no meio do nada, não fica muito pior que isso. Na pior hipótese, eu estou preso entre duas portas fechadas, e uma varanda sempre dá pra alguma lugar.

-Ou seja, você quer um beco sem saída imaginário na sua cabeça, com visão agradável?

-Basicamente isso. É, acho que você pode colocar dessa maneira.

-Como sempre, você anda ferrando a tua vida, mas eu preciso ir agora cara. Té mais

Enquanto seu amigo se afastava, ele disse em voz baixa.

-Não, realmente eu nunca mais quero te ver. –apaga o cigarro-

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