quarta-feira, 30 de junho de 2010

como foi?

E depois que eu fui embora, o que aconteceu? É sempre essa a pergunta. O que te interessa? Se alguma coisa aconteceu depois, pra que saber agora? Acha que perdeu alguma fofoca? Se for fofoca, você saberá. Quer saber se alguém fez algo impressionante? Não, foi só uma saída. Nada de impressionante.

Ah, quer saber se falamos de você? Acha que vou te contar caso tenhamos falado? E se eu fosse contar, você não ia querer saber. Não, não é isso. Sem paranóia, por favor. Só acho estranho. Engraçado até. Acha que a noite mudou de rumo depois que você foi embora? Talvez. Acha que ficou pior sem você? Talvez. Mas você só foi embora. Nada de mais nisso. Prefere que eu invente alguma história absurda pra preencher a besteira que é a sua pergunta? Ou você se arrepende de ter perguntado ou se arrepende de não estar lá. A decepção vai vir de um jeito ou de outro, desculpa.

Não. Eu só quero compreender porque todo mundo pergunta isso. O que importa o que foi o resto da noite das pessoas sem você? Quando morrer, vai querer saber como foi? Isso. Considere assim. Imagine que tenha morrido. Você não vai querer e nem ter como saber como foi depois de você. Só foi. Entende?

É alguma insegurança? Acha que realmente ficamos falando de você? Foi só um exemplo. Relaxa. Não temos nada pra falar de você. Não, entendeu errado. Não que não tenhamos nada pra falar de você. É só que, nada de interessante. Merda, saiu errado também. Não faz essa cara. Nada que rendesse uma conversa sem a sua presença, entendeu? Como assim? Você queria que falássemos de você? Mas que merda.

Certo. Quer saber, né? Falamos de você. De como você anda com a gente e tudo. Tá enchendo o saco. Fica aí falando de você sempre. Até agora, aqui, quer saber se falamos e sobre o que falamos. Dá um tempo. E por que essa cara? Pára de achar que tudo gira em volta de você. Você, você, você. Só pára. E chega dessa cara de merda.

Espera. Volta aqui. Você sabe como eu sou. Vou falando, falando, e dá nisso. Da próxima vez só não pergunta, tá?