Não dizem isso por aí, mas dia desses eu pensei que para ser um "contador de histórias" as pessoas deveriam ter um olhar curioso. Um olhar daqueles que os turistas têm quando visitam um lugar que querem muito conhecer e extrair cada informação possível de tudo.
Me lembrei que escrevo e que gosto de contar histórias, então eu deveria exercitar esse olhar curioso no meu dia a dia e resolvi começar.
Pensei que ter concluído isso agora e começar meus exercícios seria bem fácil já que acabei de me mudar, então comecei a ver e ouvir tudo com mais intensidade ainda. Antes eu olhava para não me perder, não me dar mal, agora comecei a olhar e memorizar. Comecei a conhecer as coisas mais profundamente.
Meu primeiro relato destes exercícios foi montado no elevador, voltando para casa.
Quando cheguei da faculdade, vi que havia uma capelinha branca, com a imagem da Nossa Senhora em cima da mesa do porteiro. Olhei de novo e percebi que haviam diversos papéis, de diversas cores e todos eles tinham anotações.
- O que é essa Nossa Senhora aí? Perguntei.
- É dos moradores. Já já alguém passa aqui e pega.
Resumindo o diálogo, descobri que a capelinha com a Nossa Senhora passa por diversos apartamentos no prédio. Um dos bilhetes tinha recomendações sobre o uso da capelinha:
"(...)24 horas é pouco tempo para ser abençoado, mas é o bastante para que todos de sua casa sejam agraciados. (...)"
Em um dos outros papéis haviam nomes. Era a ordem das casas que poderiam ficar com a capelinha. Quem quiser ficar com a Nossa Senhora por um dia em casa, tem que colocar seu nome no fim da listinha.
Fiquei com vontade de colocar meu nome na listinha, só pra receber a visita mesmo. Por alguns segundos quis fazer parte dessa corrente, mas meu elevador chegou bem nessa hora e eu mudei de idéia.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário