domingo, 26 de julho de 2009

enterro

As nuvens como torneiras pingando. A típica atmosfera fúnebre. A chuva quase não nos molha. Só está aqui para o cenário. E é tão irritante quanto uma torneira pingando no metal. O som baixo, mas presente. Contei umas vinte pessoas, um pouco mais. São abutres, corpos revestidos de luto.

O preto, a cor padrão, a cor da morte. Não era pesar que ele representava. Era confusão. Qual será a dose de tristeza necessária que precisava ser percebida? Choro ou quietude? Lágrimas e soluços seriam suficientes? Imagino que era o que pensava esse bloco negro. Óculos escuros, lenços em mãos, rostos mórbidos. Não sei por que insistiam em se parecer com o morto.

A procissão continuava a passos lentos. Os saltos de sapatos sendo retirados bruscamente dos paralelepípedos, as fotos amareladas de outros moradores do local, fincadas em pingentes, assistiam ao teatro. O som de sapatos de homens que celebram enterros e casamentos com as mesmas roupas deslizando nas pedras. Estranho. Chegamos enfim ao túmulo da família.

Um alvoroço se estendeu à minha frente. Abrindo caminho pelo povaréu, cheguei ao tumulto. O túmulo estava violado. Segui um rastro de terra que parecia ser perceptível só a mim. Ele se estendia até as passarelas de outros túmulos. "Aqui", eu gritei. Aos meus pés estava a ex-mulher do defunto, morta meses antes. Seu vestido estava levantado até a altura da cintura, as pernas estiradas em direções opostas. As pessoas se aglomeravam aos poucos, todas perplexas.

Meu olhar se encontrou com o do um dos filhos dos mortos. Veio correndo até o local. O único problema é que ele era um dos quatro que estavam segurando o caixão do defunto fresco. Assim, o objeto fúnebre perdeu o equilíbrio dos pedestais humanos restantes. O morto rolou. A chuva já estava mais forte. O rosto lívido estava cheio de lama, com fios de cabelo grudados na testa. Agora ele sorria.

sábado, 18 de julho de 2009

O Acordar

Olhei para o horizonte. As nuvens pareciam mais palpáveis, o céu parecia mais limpo. O Sol nascendo me parecia mais puro, mais bonito. As águas pareciam ir e vir num ciclo infinito e perfeito enquanto o azul virava branco e o branco virava amarelo. O orvalho da grama parecia rapidamente aquecer, deixando de ser só um frio úmido, era agora uma relva verde e calorosa. O Cheiro da água salgada nunca me agradara, e não é agora que isso vai mudar. Não pude acreditar na diferança do azul-mar para o azul-céu, ambos eram indescritíveis. Tudo o que eu ouvia era uma voz. Essa voz me chamava, e eu sabia. Mesmo assim não respondi. A voz tornou-se o vento, e o vento cantava. Tudo parecia calma agora, no acordar.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Soul's Fire

My eyes are red
'cause my soul is on fire
and the blood is like gasoline
burning my dreams out
making them real
giving life to my sins
hiding my sorrows
deep into my conscience

sexta-feira, 10 de julho de 2009

chuva

"Ali, debaixo daquela banca". A chuva não parava. Nos cercava, nos obrigando a ficar ali, com o som das gotas batendo no metal. Eu evitava seu olhar e ele o meu. Há um tempo estávamos estranhos um com o outro. E pelo visto não era só comigo. Antes uma pessoa tão falante, e hoje ele não retornava ligações, não saía. Mas eu sabia.

Ficamos ali, tirando água dos guarda-chuvas, das roupas. Sempre fitando o chão, evitando a conversa. Às vezes os olhares se encontravam e vinha o sorriso educado, que era o bastante para justificar a falta de conversa. Ele estava com uma aparência patética, realmente. Desgraçada a hora em que fui encontrá-lo na rua e tivemos que nos forçar a almoçar juntos. Ele também deve ter amaldiçoado o momento. Eu sabia.

Não aguentei. Tirei os olhos das revistas de culinária que me fitavam. "Eu já sei de tudo. Não precisamos ficar nesse silêncio". Ele me encarou, sério. "A chuva parou. Vamos?", disse, com o mesmo sorriso educado. Sim, vamos. Sim, precisávamos do silêncio. O câncer vai consumí-lo daqui uns 3 meses. Sorte a nossa que a chuva acabou. O nosso constrangimento era sincero. A provável conversa não seria.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

foda

Maldito celular que não toca. Uma barrinha de bateria. E aquela vaca não liga. Fiquei a semana inteira cortejando, pra ter uma foda decente hoje, e nada dela. Contas pra pagar, aquela puta da minha ex me enchendo o saco com pensão. O escroto do meu chefe que só porque tem câncer de próstata acha que pode foder com a vida de todo mundo. E eu aqui, só querendo sexo. Liga logo, porra.

Cinco semanas que ela entrou no escritório, no melhor estilo estagiária gostosa, e todo mundo babando. Fiquei na minha. Nessa época minha punheta diária dava pro gasto. Talvez isso a tenha feito vir até minha mesa, a indiferença. Sei lá. Veio toda carente, falando que tinha terminado com namorado. E na primeira carona que dei, já falou que queria me chupar. Achei estranho, aquilo estava mais pra roteiro de filme pornô do que pra vida real. Mas concordei, não tinha nada a perder. A semana inteira saindo pra tomar um chopp, comer alguma coisa. Tomar café, conversar. Todo aquele cortejo que se faz antes de foder alguém. A não ser que você pague pelo ato, claro. Tocou. Até que enfim. Oi. Tudo e você. Beleza, eu espero. É, vou esperar mais um pouco. Pelo menos ela é gostosa. Aquela vez na sala do café tá valendo a espera. Ela tem umas mãos grandes, o serviço foi bom. Ela chegou, finalmente. Deus existe.

Em motel é sacanagem. Tô sem grana. Não vou pagar por uma trepada que é pra ser de graça. Vamos pra minha casa. Ela já quer ir pro quarto. Ótimo, pelo menos não vou ter que abrir as últimas garrafas de cerveja. Sobram duas pra mim. Ela é mais rápida que eu pra tirar a roupa. Vai tirar a calcinha. Peraí, que merda é essa caindo no meio da perna dela? E esse gogó saltado? Eu que achava que essa voz grossa era de tanta porra que ela devia ter na garganta. Olhou pra mim. Deve ter gostado de ter me feito de otário. Só me faltava essa. Que se foda. Já tô aqui mesmo.

Epiphany

-Hey man.
-Hey.
-Whats up?
-Nothing, ya?
-I met this new chick man.
-How is she?
-She got fire on her lips, and a tattoo on her hips.
-Jackpot, hey, gotta go, see ya later.
-See ya man. – Something like a 3 seconds epiphany - Shit, I need to get outta here. My cigarettes are almost over, why cant my life just end too?
While a man gets out of a filth old bar, a pretty woman walks through a large boulevard, the Sun shines behind the clouds, but nobody cares, and just like this clouds cover this Sun, this woman will cloud this man. Fourteen times, the sunrises were endless, and the nights seems careless. But now, there no Sun, no Moon, no God or Shangri La, there just two people, he and she.
-You had been quiet all night, is something wrong?
-Know, when you can keep a nice time quiet with someone, you just know that it’s the right one, there’s no need of that bullshit of “how its your day?” and those things. The time is just useless.
Kiss.
As time goes by, life just happens. And as life just happens, love just get weaker.
Time.
Life.
Fight.
Life.
-Hey man, how long!
-Hey.
-You look like shit.
-Thanks, I just broke up.
-Sorry about that, but why man?
-I don’t know for sure, but something just feel wrong. One day I just woke up to life again, and I can’t see myself with her.
-But, wasn’t she the right one?
-She is all I ever wanted.
-Then why did you broke up with her?
-We had a good time, know? But she is like one giant epiphany for me, maybe the best thing that ever happened to me
-Jesus Fucking Christ then why did you broke up with her?!
-Look, with her, my life would be complete. There will be nothing new, she will be my life. Then we will be just another fucked up couple watching tv Saturday night and fighting for stupid things like were is the fucking remote! I love her, I really do, but sometimes love is overestimated. Fuck, I really need to find other friends…
-Well, its your life, anyway, gotta go. See ya in the next time you find the girl of your dreams
-Good bye. Hope to never see you again then, motherfucker.