segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Hoje

Hoje é dia de acordar uma hora mais cedo, me arrumar e preparar seu café com leite. É dia de trocar os papéis e te acordar. Eu faria igual a você, entraria em seu quarto gritando o horário bem adiantado e arrancaria seu lençol da cama.
Nós podemos almoçar juntos quando eu sair da aula. Podemos ir ao japonês ou ao seu restaurante mesmo, não importa.

Se eu estivesse trabalhando, poderia te comprar um presente diferente. Nunca te comprei um presente, sempre fiz algumas tranqueiras com as nossas fotos ou só com algumas frases clichês de “parabéns, eu te amo”. Ou algum desenho, mas faz quase 10 anos que não desenho nada.

Há um tempo, pensei em gravar minha versão daquela música que cantei em meu aniversário e você chorou, lembra? Eu estava com tanta vergonha que só conseguia olhar para o microfone, mas eu te vi lá no fundo emocionado. Até hoje quando a mamãe ouve aquela música, ela se lembra do meu aniversário e da cena toda.

Semana passada, te procurei na sala lá de casa. Às vezes te procuro pelo quintal, você nem ficou aqui para ver como a mamãe redesenhou todo o lugar que você deixou.

Acho que sou a única pessoa que consegue olhar para o novo e reposicionar todas as coisas do jeitinho que elas eram quando você estava por aqui.

De lá até aqui me meti em tantos problemas, me machuquei tanto, caí tanto. Descobri que não sei esquecer as pessoas que amo, nem as que não amo e nem as que me fizeram mal. Acho que você era assim também.

Se você estivesse aqui hoje, eu não escreveria nada disso; também não estaria acordada agora. Estaria na hora de te acordar, mas já faz três anos que não te vejo em seu aniversário. Tudo bem, pai, o dia não terminará agora para mim e nem para você. Hoje farei minha primeira tatuagem e é você quem vai assiná-la. Até mais.

Marina Bellini

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