A formiga no canto do banheiro. Eu observava esse pequeno ser decidindo algum ponto da sua inimaginável vida naquele cruzamento de chão e parede. O caminho era longo caso ela quisesse subir os infinitos pisos que levavam ao teto. Parecia preocupada o suficiente para manter as duas patas dianteiras eriçadas e as anteninhas epiléticas à frente. Por mais que insetos sejam desprezíveis, sempre tive carinho por alguns deles. Aranhas e formigas, principalmente. Ainda mais por aquela formiguinha, preta, simples. Me comovia o tempo, comparado à mínima duração de sua vida, que ela estava demorando para se decidir entre chão ou parede. Fez então sua decisão. Escolheu pela parede enfim. Ótima escolha. Pra quê continuar de onde estava? Se veio do chão, arrisque-se na parede. Muita bravura.
Após uma lajota de caminhada a formiga parou, hesitante. Por quê? Continue em direção ao teto. Vá ao desconhecido. Ela então voltou seu corpo em direção ao chão e começou a descer. E desceu, chegou ao chão. Caminhou mais alguns centímetros e veio de encontro ao meu dedão. Decepcionante, formiga. Esmaguei-a.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
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