quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Psicose humana

O suor escorria pelo meu rosto, mais por elegância do que por nervosismo, enquanto eu mantinha a arma apontada para a cabeça dele. Tirar a vida dele, acabar com a existência do que um dia eu já tinha gostado era tudo que ainda parecia são, na minha mente deturpada. Mas o que me daria mais prazer? Sua morte, ou eternizar esse momento de tensão? Vê-lo pálido como um fantasma, implorando pela vida que ele não merecia, implorando pelo amor da vida dele que era meu. O quarto escuro com cheiro de pólvora me fazia querer vomitar, não mais que o rosto ensanguentado do que eu já havia chamado de amigo, mas me fazia querer vomitar. Apesar da naúsea constante, me sentia orgulhoso, mesmo após nossa briga no bar que ferira uma garçonete, conseguira trazê-lo até em casa, ''conversar'' eu disse no telefone para ele enquanto comprava a corda que o prendia à viga de madeira do meu porão.
Resolvi que era hora de agir, removi o esparadrapo que o impedia de falar, filho da puta, ele exclamou até perder o fôlego. Eu calmamente perguntei se ele ainda a amava. Ameaças, era tudo que eu ouvia, eu já havia trocado confissões com ele, viajado pelo mundo e tudo que recebi em troca além da ingratidão foi um amor perdido. Mirei novamente para o seu rosto e em instantes sua raiva tornou-se angústia e não obstante, desespero. Eu disse novamente, você ainda a ama? Ele exaltou-se com um: sim ela sempre me amou, muito mais do que você imagina.
Eu sorri, soltei suas mordaças e sua corda, e disse, vá, você mercece viver Gabriel, ainda mirando a arma em sua cabeça. Ele arrastou-se, tropeçou, fugiu. Exaltei-me numa risada orgasmatica e ainda sem fôlego tirei do bolso o celular dela, e mandei uma mensagem a ele. ''Estou te esperando em casa, aonde vc está?''. coloquei o celular ao lado do vestido ensanguentado que pertencera a ela e deitei-me. Você merece viver..... viver esse inferno que eu fiz só pra voce, pensei e sorri dormindo como um anjo mesmo com as sirenes

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