quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Eu como eu sou

Já roubei dinheiro da bolsa de minha mãe, e comprei balas e doces. Já roubei figurinhas, já roubei o direito de amar de meu melhor amigo, já faz tempo que roubei minha humanidade.
Não sei ao certo se os meus pecados, são em parte devido à minha impulsividade, esta que me move enquanto digito as frias teclas de um texto. Tão rapido escrevo, eu apago. Um conflito, um par, ação-reação? Um casal.
No meu mundo a chuva sempre cai, disfarça o choro que deveria cair mas não cai, e o frio que existe mas não sinto. Não que seja quente, nem feliz este mundo no qual eu vivo, mas as vezes me parece oco. Oco como a pele de uma serpente que sob o chão pode até parecer incomum,raro, mas é apenas outra antes de muitas e está atrás de várias outras, um ciclo, um eco uma falha.
No meu mundo as réplicas são constantes. Aton? Não. São mesmo. Pessoas diferentes, são simplesmente iguais, muitas vezes descartáveis e decorativas. O que diferenciaria uma pessoa? Seu corte de cabelo? Gosto musical? As que me interesso muitas vezes tem um olhar diferente, mas não deixam de me entediar, se o tédio é eterno nessa chuva, pelo menos perto delas parte dele é menor, e depois delas? sobra o que? eu? Eu como eu sou. Nada. Pele, rugas, poros. Corpo de homem, casca de homem, nada mais que um delírio de uma mente insana, o êxtase vulgar do criador.
Fomos criados à mesma imagem e semelhança de deus. Pobre deus. Corcunda e careca, louco e tísico, somos criados pelo mesmo impulso que me move. Hoje eu quase fui assaltado, eu queria brigar, ver meu corpo sangrar,sangue quente, vivo, me sentir vivo, minha impulsividade não se mostrou como se mostra agora, escrevendo mais um delírio,nem a do ladrão que desistiu após um seco ''não'', se mostrou fraca, incerta, é claro que se o risco me traz a vida, ele também pode tirá-la, uma aposta, só resta saber se valhe o que se tem em mãos. Provavelmente não, não ainda. Continuo procurando a resposta, em vão obviamente. Não há resposta para a vida, nem tão menos é a vida uma pergunta.
Se você já leu clichê como esse, não se preocupe, meu eu impulsivo não liga pra clichês, ele se importa com o sentimento, palavra estranha, principalmente num texto que era para ter terminado no ultimo paragrafo, na verdade, prova simplesmente o que eu ainda não consigo provar. A arte,pelo menos a minha, se é que se pode chamar esse furûnculo textual de tal é a expressão do agora, do pouco que ainda se sente, do pouco que ainda se vê por de traz da miopia de um mundo virtual, artificial como as jóias, como os joalheiros. Para todas as outras coisas existe mastercard.

Um comentário:

  1. Imagine-se andando no deserto, ou numa simples e vasta extensão de areia. À cada passo você deixa uma pegada, tão profunda quanto o peso de sua índole. O vento, por sua vez, sopra cada grão de areia, em toda e qualquer direção, apagando, deste modo, as pegadas que você deixou para trás. Suas próximas pegadas naquele terreno fofo são incertas, imprecisas e incauculáveis, pois, por maior que seja controle motor que você tiver sobre suas pernas, no fim é sempre o vento quem molda o terreno no qual você irá pisar. O que é certo? O que é real? Pare de andar um pouco. Olhe para baixo.

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