terça-feira, 24 de novembro de 2009

A beleza engana

Anna, era o nome da menina deficiente. Cabelos loiro-dourados que escorriam em leves cachos que ressaltavam seus olhos verdes, hora azuis e hora uma cor que eu não sabia definir ao certo.
Sentava-se ao meu lado mas nunca vi nela uma expressão que lembrasse um sorriso, nem nunca tinha ouvido sua voz.
Apesar disso suas expressões perante as aulas, provavelmente quando não entendia alguma coisa me faziam sorrir, bem de leve, para que não percebesse. Ela tinha um amigo, um índio, que tinha a sorte de falar com ela.
Ninguém comentava sobre a anna, nem falava com ela, era linda, deficiente, e mesmo assim invisível, boatos corriam que ela tinha um namorado mas mesmo assim ela não era motivo de fofoca ou de brincadeiras.
Seus interesses? Dúvido que muitas pessoas saibam alguma coisa, provavelmente ela gostava de literatura, nas terças feiras havia sombra em seus olhos e suas unhas pintadas, anotava tudo que podia e sempre mantinha-se fixa na explicação,carregava sempre em sua mão uma carteira, era engraçada, na forma de um sapo, algum personagem da Monica talvez?
Semana passada, no dia da prova enquanti saia da classe, derrubou seu fichário mas não conseguia alcançá-lo da cadeira de rodas, entreguei-o a ela e com espanto (meu) um fino sorriso, belo, meigo expressou-se na sua face e com mais espanto ainda ouvi um ''obrigado'' numa voz mais grossa que a minha.

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