Fiquei sabendo que na minha terra, os policiais são treinados para não bater nos “caba safado”. São treinados para defender os pais de família daqui e para fazer com que os vagabundos fiquem espertos e virem trabalhadores honestos de uma vez.
Uma vez mesmo, me contaram, que a polícia daqui anda tão esperta que conseguiu prender um grupo que estava planejando um assalto. “Pla – ne – jan – do”, o taxista que me contou repetiu isso umas oito vezes. “Os cabra não tinham nem feito nada!” incrível.
Descobri também que um dos ‘prestatenção’ mais comuns que os policiais dão nesses vagabundos é o truque do jabá. Jabá é carne de sol, mas muito mais salgada. Fiquei sabendo que os policiais faziam os vagabundos comerem um montão de jabá e aí, quando eles ficavam com muita sede, colocavam uma jarra de água bem gelada na frente de cada safado e só os deixavam beber quando todos prometessem que não iriam mais atrapalhar os homens de bem.
Se fosse onde eu vivo, os trombadinhas fariam o mesmo, mas depois de serem soltos, voltariam a assaltar as pessoas. Aqui, na minha terra, isso não acontece. Os homens daqui têm palavra.
Me contaram que das poucas vezes que uns ‘cabas safados’ não honraram sua palavra, os policiais os levaram para dar um passeio. Os vagabundos foram colocados em um barco e passearam por mais de três horas para longe das praias daqui, para longe do alto mar daqui. Os passeios terminavam ali, por Recife, nas águas dominadas por seus tubarões. É, estes cabas nunca mais foram vistos na minha terra.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
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