Eu costumava pensar que ela estaria sempre ali, que seria pra sempre. Andávamos de bicicleta pelo parque, depois lanchávamos nas escadarias de algum prédio. O porteiro geralmente ficava esperando a primeira chance de expulsar-nos de lá.
Ela era mais quieta que eu. Às vezes ficava me fitando por muito tempo. Eu também, parava de falar só para admirá-la. Eu sei que muitos passavam pela rua quando estávamos juntos perguntando-se "O que diabos esses dois ficam se encarando?". Mas eu não ligo. Sempre nos encontramos no mesmo lugar, só pra nos olharmos. Eu levo alguns lanches de vez em quando, mas só eu como. Ela diz que tem que ficar em forma, não pode engordar. Mas o corpo dela é perfeito, não há o que melhorar nem piorar.
Mas hoje meu coração quase parou. Cheguei no lugar de costume, e ela não estava lá. Ela sempre está lá. Sentei no banco de sempre e chorei. As pessoas que passavam não entendiam. Então eu olhei para onde ela ficava. Seu rosto estava rasgado, as pernas tinham sumido. No lugar delas, um maldito aparelho celular. Ainda havia partes para colar. Por que aqueles carrascos, com baldes de cola numa mão e papéis na outra demoravam tanto? Me faziam encarar o fim do nosso amor de maneira tão desumana. Eu era obrigado a olhá-la, vendo seu rosto desaparecer aos poucos. E daí que haviam outras dela espalhadas pela cidade? Eles não tinham o direito.
terça-feira, 30 de junho de 2009
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